quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

One Art

Imagem: Google


A arte de perder não é difícil de se dominar; 
tantas coisas parecem cheias da intenção 
de se perderem que a sua perda não é uma calamidade. 

Perder qualquer coisa todos os dias. Aceitar a agitação 
de chaves perdidas, a hora mal passada. 
A arte de perder não é difícil de se dominar.

Então procura perder mais, perder mais depressa: 
lugares e nomes e para onde se tencionava 
viajar. Nenhuma destas coisas trará uma calamidade.

Perdi o relógio da minha mãe. E olha! a última, ou 
a penúltima, de três casas amadas desapareceu. 
A arte de perder não é difícil de se dominar. 

Perdi duas cidades encantadoras: E, mais vastos ainda, 
reinos que possuía, dois rios, um continente. 
Sinto a falta deles, mas não foi uma calamidade.

- Mesmo o perder-te (a voz trocista, um gesto 
que amo) não foi diferente disso. É evidente 
que a arte de perder não é muito difícil de se dominar 
mesmo que nos pareça (toma nota!) uma calamidade. 


Elizabeth Bishop




3 comentários:

Cristiane Marino disse...

Menina, hoje você está inspirada hein...
Também adoro Elisabeth Bishop
Esse poema é um dos meus favoritos.
Bjs

Cristiane Marino disse...

Ah! Adorei as imagens que você escolheu para os dois posts.
Bjs

Wanderley Elian Lima disse...

É, mas as vezes um perda pode ser uma verdadeira calamidade em nossa vida, porque nunca estamos preparados para as perdas.
Bjux